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Por que time técnico aprova e diretoria rejeita

  • Foto do escritor: Wilson M Spinola
    Wilson M Spinola
  • 2 de abr.
  • 3 min de leitura

O que 12 anos atendendo empresas técnicas me ensinaram sobre a reunião que você nunca vê 


Recebi a ligação de um CEO na semana passada. Ele comanda uma empresa de automação industrial com 18 anos de mercado e sua voz transparecia frustração: "Wilson, não faz sentido. Nossa proposta foi aprovada pelo time técnico do cliente; três engenheiros a validaram com especificações perfeitas. Mas, quando subiu para a diretoria, rejeitaram. O feedback foi que escolheriam uma 'opção mais consolidada no mercado'. Nem sei o que isso significa, pois nossa solução era tecnicamente superior".


Perguntei se ele sabia o que havia acontecido na reunião de diretoria. Houve silêncio. "Não, só sei que rejeitaram", ele respondeu.


Esse é o padrão que vejo há 12 anos estruturando a comunicação de marca para mercados técnicos. Muitos CEOs acreditam que a venda é decidida na reunião técnica, onde o engenheiro valida especificações e aprova o SLA. Na verdade, a decisão ocorre em uma reunião invisível para o fornecedor: a da diretoria do cliente, onde ninguém lê especificações técnicas.


Nesse ambiente, o jogo muda completamente. A diretoria não pergunta se a solução funciona — ela assume que sim, pois o time técnico já deu o aval. A pergunta real é outra: "Consigo explicar essa escolha para o conselho, para a auditoria ou para os acionistas se algo der errado?".


Se a forma como sua empresa comunica valor não oferece ferramentas para o diretor responder a isso, ele escolherá a "opção mais consolidada". No código corporativo, isso significa: "Consigo me explicar se houver problemas, porque todos conhecem essa marca".


A reunião invisível onde comunicação de valor falha  Vou recontar o que realmente aconteceu naquele caso de automação. Conseguimos acesso ao cliente após a perda do projeto de R$ 2,1 milhões e reconstituímos a reunião de diretoria. O Diretor de Engenharia apresentou o cenário ao CFO e aos conselheiros: "O Fornecedor A atende a 100% dos requisitos, tem sistema redundante, certificações e performance comprovada".


O CFO, sem ler as especificações, foi direto ao ponto: "E o Fornecedor B? Também atende?". Diante da confirmação de que eram equivalentes, ele questionou: "O Fornecedor B é líder de mercado e custa 8% a mais. Por que escolher o A?".


O Diretor de Engenharia tentou argumentar sobre a solidez da proposta, mas o CFO cortou: "Mas se houver algum problema, e aqui estamos tratando de uma linha de produção que não pode parar, como eu explico ao conselho que economizamos 8% escolhendo uma empresa menos conhecida no lugar da líder que todos contratam?".


Houve silêncio. A proposta técnica não deu munição para defender a escolha politicamente. O resultado? A diretoria pagou 8% a mais pelo Fornecedor B. Não por superioridade técnica, mas porque a marca era politicamente defensável. O filtro político que comunicação técnica ignora  Na SPiCOM8, identificamos que as vendas técnicas passam por três filtros, e o terceiro mata 67% das oportunidades:


  1. Validação Técnica: Funciona? (Critério: especificação) .

  2. Validação Comercial: Está dentro das políticas? (Critério: budget e contrato) .

  3. Validação Política: Consigo defender essa escolha se der errado? (Critério: explicabilidade) .


O erro das empresas é comunicar valor apenas para o Filtro 1, enquanto a decisão final acontece no Filtro 3, que lê justificativas políticas, não manuais técnicos. Como armar quem decide 

Trabalhamos com um fornecedor que tinha um win rate travado em 34% pelo mesmo motivo. Para reverter isso, criamos um documento de "munição política" que acompanhava a proposta.


Em vez de anexos técnicos, entregamos o que o CFO precisava dizer ao conselho: comparativos de conformidade, tempo de implementação e custo de problemas evitados. Incluímos até um texto pronto para ser copiado e colado na ata de aprovação.


Nove meses depois, o win rate subiu para 58%, e as rejeições por "opção mais segura" caíram 71%. A proposta técnica era a mesma, mas mudamos a forma de comunicar o valor para proteger quem decide politicamente.


Se você tem a melhor solução, mas não arma seu cliente para defendê-la perante quem não entende do assunto, você continuará perdendo para a "marca mais conhecida". Competência técnica convence o técnico; comunicação de valor defensável convence quem decide. E quem decide, raramente é quem entende da técnica.

 


Wilson M Spinola - CEO SPiCOM8
Wilson M Spinola - CEO SPiCOM8

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