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CEO que investiu nos 7 pilares e perdeu R$ 1,2M (o que deveria ter priorizado)

  • Foto do escritor: Hilander Almeida
    Hilander Almeida
  • 22 de jun.
  • 6 min de leitura

Por Wilson M. Spinola


No final de um ano de trabalho com um CEO do setor de serviços profissionais B2B, ele me mostrou uma planilha que havia montado sozinho, em silêncio, depois que todo mundo foi embora do escritório.


Sete linhas. Uma para cada iniciativa de marketing do ano. SEO, mídia paga, LinkedIn, email marketing, produção de conteúdo, eventos, branding. Cada linha com o investimento realizado e os contratos que ele conseguia atribuir com alguma certeza àquela iniciativa.


A soma da coluna de investimento: R$ 1,2 milhão.


A soma da coluna de contratos atribuídos: R$ 510 mil.


Ele não estava me mostrando para reclamar. Estava me mostrando porque não sabia o que fazer com aquele número. As métricas de cada iniciativa haviam crescido — tráfego, leads, engajamento, taxa de abertura.


Tudo no verde. E ainda assim, quando ele tentava traçar uma linha direta entre o que havia investido e o que havia fechado, a conta não fechava.


"O problema," ele disse, "é que eu não sei se as outras coisas funcionaram ou não. Só sei que não consigo provar."

Essa frase resume o problema que vejo com mais frequência em empresas técnicas B2B que investem seriamente em marketing: não é que as iniciativas são ruins. É que foram escolhidas pelo critério errado — e por isso medem o que é mensurável, não o que é determinante.


O critério que determina o que priorizar


Existe uma pergunta que deveria anteceder qualquer decisão de alocação de budget em marketing B2B técnico.


Ela não é "qual canal tem melhor ROI?" nem "o que o concorrente está fazendo?" É mais simples e mais difícil ao mesmo tempo: Quando seu prospect toma a decisão de comprar, o que ele precisa ter acumulado sobre você antes disso?


A resposta a essa pergunta — não a tendência do mercado, não o benchmark do setor, não a capacidade da agência — é o que deveria determinar onde investir.


Para empresa técnica com ciclo de 14 meses e decisão que passa por três a seis pessoas com critérios diferentes, a resposta tem três componentes que precisam estar presentes antes de qualquer contato comercial: o prospect precisa reconhecer sua marca como referência no problema que ele tem, precisa ter encontrado sua empresa na rede de alguém em quem confia, e precisa ser capaz de defender a escolha por você internamente sem você estar na sala.


Esses três componentes são o que eu chamo de autoridade prévia, confiança transferida e narrativa defensável. E são eles que determinam se os sete pilares que o CEO estava medindo estavam sendo usados para a função certa ou para a função mais fácil de medir.


O que estava certo na planilha e o que estava faltando


Voltando aos R$ 1,2 milhão.


O investimento em SEO havia gerado tráfego real. Mas tráfego orgânico para empresa técnica B2B funciona como autoridade prévia apenas quando o conteúdo responde perguntas que o decisor está fazendo durante a fase de pesquisa independente — os meses em que ele está formando opinião sem falar com nenhum fornecedor. O site havia sido otimizado para palavras-chave de produto, não para as perguntas que o decisor técnico faz quando está tentando entender o problema, não a solução. O tráfego cresceu.


A autoridade prévia não.


A mídia paga havia gerado leads dentro do benchmark. Mas em venda técnica de ciclo longo, lead de mídia paga chega no topo do funil sem nenhuma autoridade prévia acumulada — o prospect viu um anúncio, clicou, preencheu formulário. Quando o comercial liga, está falando com alguém que não sabe quem é a empresa, não tem referência na rede, não tem narrativa interna formada.


O ciclo que deveria durar 14 meses começa do zero.


Dos 847 leads gerados, 3 converteram — não porque a mídia paga é ineficiente, mas porque foi usada para capturar quem estava pronto para decidir em vez de construir presença com quem estava formando opinião.


O LinkedIn havia crescido em seguidores e engajamento. Mas o conteúdo havia sido produzido para gerar alcance — posts que performam bem no algoritmo, que geram curtidas e comentários, que chegam a pessoas que nunca vão comprar. O decisor técnico que toma a decisão de R$ 2 milhões raramente comenta no LinkedIn. Ele lê. Ele salva.


Ele menciona em conversas internas. Essas ações não aparecem nos relatórios de engajamento. O que aparece nos relatórios havia sido otimizado. O que importava não havia sido planejado.


Os eventos haviam gerado conversas. Mas conversas de evento sem marca construída previamente são conversas de apresentação — o CEO passava os primeiros dez minutos explicando quem era a empresa. Com marca prévia, essas conversas começaram no ponto em que a outra termina: "já ouvi falar de vocês, estava pensando em entrar em contato."


O que deveria ter sido priorizado


Não estou dizendo que as sete iniciativas estavam erradas. Estou dizendo que foram implementadas sem a pergunta central respondida — e por isso cada uma serviu para a função mais fácil, não para a função mais necessária.


SEO deveria ter sido construído para responder as perguntas que o decisor faz durante a pesquisa independente — não para capturar quem já está procurando um fornecedor específico. A diferença está no estágio de consciência do prospect: um está formando opinião, o outro já formou. Para empresa técnica de ciclo longo, o primeiro é onde a autoridade prévia se constrói.


LinkedIn deveria ter sido usado para fazer o CEO e os especialistas da empresa existirem nas conversas que acontecem antes de qualquer reunião comercial. Não para gerar alcance — para gerar presença qualificada. Quando um diretor de engenharia menciona o nome da empresa em uma reunião interna porque leu um artigo técnico três meses antes, isso não aparece em nenhum relatório. Mas é o que mais frequentemente antecede um contrato.


Os eventos deveriam ter sido usados como momento de confirmação de uma marca que já existia para aquele público — não como momento de apresentação. A lógica é invertida: você vai ao evento para aprofundar relacionamentos com quem já te conhece, não para construir relacionamentos do zero.


E o branding — que estava na última linha da planilha com o menor investimento — deveria ter sido a primeira. Não porque branding é mais importante do que execução, mas porque é o que faz todas as outras iniciativas funcionarem melhor. SEO com marca forte converte mais. LinkedIn com marca forte gera conversas mais qualificadas. Eventos com marca forte economizam os primeiros dez minutos de cada conversa.


A conta que deveria ter sido feita antes


Quando o CEO me mostrou a planilha, a primeira coisa que perguntei foi quanto dos R$ 1,2 milhão havia sido alocado para construir os três componentes que determinam a decisão do prospect antes de ele entrar no funil.


Ele calculou: aproximadamente R$ 90 mil — 7,5% do total. O restante havia sido investido em capturar, converter e medir quem já estava no funil.


A distribuição não estava errada por malícia ou incompetência. Estava errada porque é o padrão natural quando o critério de investimento é o que é fácil de medir, não o que é determinante para fechar. Captura tem métrica imediata. Autoridade prévia não.


Passamos os primeiros meses do ano seguinte redistribuindo o budget — não cortando nenhuma iniciativa, mas mudando a função de cada uma. O SEO passou a responder perguntas do estágio de formação de opinião. O LinkedIn passou a construir presença do CEO e dos especialistas em temas que o decisor técnico pesquisa antes de qualquer reunião. Os eventos passaram a ser selecionados pelo perfil do público, não pelo tamanho do estande.


Doze meses depois, o win rate havia subido de 21% para 34%. O número de leads havia caído — a mídia paga foi reduzida. Mas o ciclo médio havia encurtado em 3,2 meses, porque os prospects chegavam às reuniões com mais contexto acumulado sobre a empresa.


A planilha do fim do ano seguinte ainda tinha sete linhas. Mas a coluna de contratos atribuídos havia mudado — não porque as iniciativas eram melhores, mas porque estavam respondendo à pergunta certa.


O CEO que investiu R$ 1,2 milhão não tomou decisões erradas. Tomou decisões sem a pergunta central respondida. E quando a pergunta não é feita antes, o budget vai para o que é mensurável — não para o que é determinante.


A diferença entre as duas coisas é onde a maioria dos contratos B2B técnicos é decidida antes de qualquer reunião comercial acontecer.


Wilson M. Spinola é fundador da SPiCOM8, agência especializada em Gestão Global de Marca para médias empresas B2B. Há 30 anos estruturando comunicação de marca para mercados técnicos.

 

 
 
 

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